Uma das metas da luta antimanicomial é oferecer autonomia aos pacientes com transtorno mental pela via do trabalho. Com muita animação e vontade de criar a integração entre a comunidade e os pacientes, as unidades de saúde e Centro de Atenção Psicossocial (caps) criaram oficinas terapêuticas de bordado, costura, tapetes.
Uma desta iniciativas deu tanto certo que desde de agosto de 2006, Tramas, o grupo lá de Cariacica, desenvolve produtos por meio do projeto Economia Solidária. Usuários dos Caps Moxuara e da Unidade de Saúde Mental de Jardim América mais a comunidade partilham momentos de descontração enquanto aprendem um novo ofício e têm a possibilidade de ganhar uma graninha com os lucros das vendas dos produtos que variam de tapetes, roupas, bolsas, almofadas.
Para uma das usuárias e integrantes do Tramas, Bernadete Gomes, “é muito bom participar do programa, pois além de aprender muito, ocupa a cabeça e se diverte com os demais participantes”
A psicológa da Unidade de Saúde Jardim América, Magali Brandão, acrescenta “é uma oportunidade deles se sentirem úteis e trabalhando. Todo o lucro é revertido para a compra de materiais e o que sobra é repartido entre eles”.
Os produtos são vendidos em feiras, lojas em shopping, no Super Mercado da estilista Gabi Lima e eventos ligados a psicologia.
As reuniões do Trama são sempre, às terças e quintas-feiras, das 13h às 16h30, na rua Maria Schaeffer, 47, Nova Brasília, Cariacica. (27) 3344-2715. . E-mails: grupotramas@yahoo.com.br, hab.capsmoxuara@saude.es.gov.br
Fotos: Liege Nogueira


Integração do Deficiente Mental no Mundo do Trabalho
Qualquer indivíduo experimenta diferentes transições durante a sua vida. Entrar para a escola, a passagem para o Ensino Secundário ou o atingir da Universidade são alguns exemplos. No entanto, a transição mais importante é provavelmente a da adolescência para a vida adulta; de facto, esta transição é comummente considerada a mais significativa e a que tem as maiores implicações a longo prazo.
As dificuldades que se verificam para que seja conseguida uma transição com sucesso são muitas vezes devidas à ausência de uma visão clara ou definição coerente do processo envolvido.
Dever-se ia fazer com que, em cada país, houvesse um consenso de opinião acerca quer das metas a longo prazo quer as expectativas em termos de resultado dos programas de transição. Para que tal seja possível, deveriam ser identificados com sucesso, que seriam usados com os jovens com “ Handicaps” onde quer que eles viessem, enfatizando, ainda, as inter-relações entre as metas que deveriam ser reconhecidas por todos aqueles que contribuem para tais programas.
A inter-relação dos diferentes objectivos, no que respeita ao trabalho, vida independente, lazer e recreio e “ status” de adulto, assim como independência financeira, precisa ser reconhecida. Programas de treino, serviços de apoio, treino profissional e prática de trabalho necessitam ser considerados tendo em vista o desenvolvimento da coerência e continuidade entre a escola e a vida adulta. Estas etapas são necessárias para ultrapassar o que é na prática uma abordagem fragmentada às necessidades orientado para a incapacidade.
Uma transição efectiva deve resultar no desenvolvimento de capacidades e conhecimentos apropriados ao emprego aberto, a uma vida independente, a uma série de passatempos e actividades recreativas e de lazer e, acima de tudo, à interacção social na comunidade. É ainda de ter em atenção que o atingir destes objectivos pode levar mais tempo para alguns indivíduos e outros poderão requerer um apoio mais prolongado para manterem as suas aquisições.
O sistema educativo português actual prevê nove anos de escolaridade obrigatória distribuídos por três ciclos. Após esses nove anos, a escolha duma carreira pode ser facilitada se os jovens tiverem informação suficiente das oportunidades disponíveis.
Contudo foi constatado que na prática, não só a educação obrigatória não era automática para todos, como também as disposições tomadas sobre a educação complementar e a preparação profissional eram muito limitadas. Embora algo tenha vindo a ser feito nesse domínio desde essa altura, não restam dúvidas que muito necessita ainda de ser concretizado para que os deficientes possam encarar o seu futuro com optimismo.
Considerando a OCDE/CERI (1986) “ a transição para a vida activa descreve a forma pela qual o individuo passa da adolescência para a vida adulta dentro dos parâmetros sociais, culturais, económicos e legais dos diferentes países, regiões, comunidades e famílias”.
Considerando os vários contextos sociais, regiões, comunidades e famílias a situação da vida adulta pode ser observada, como foi sugerida pelo estudo realizado pela OCDE/CERI em 1986, nas quatro áreas principais seguintes:
1. Autonomia pessoal;
2. Emprego, trabalho útil;
3. Interacção social, participação na comunidade;
4. Papel na família.
1. Autonomia pessoal
A autonomia pessoal para portadores de deficiência não é só uma qualidade de vida, mas um direito humano. A fase da transição deve envolver uma reorientação de atitudes, práticas e relações dos pais e profissionais com os jovens deficientes. Entre as questões a ter em conta estão as expectativas de pais e profissionais, pois estas têm, também, uma influência crucial no desenvolvimento pessoal do jovem. Isto é vital para que estes jovens adquiram um auto-conceito positivo e orientem as suas próprias vidas ao máximo possível.
2. Trabalho útil e emprego
É o trabalho que dá o “status” na comunidade e a independência económica para os que têm incapacidades. Por outro lado, é muitas vezes através do trabalho que os portadores de deficiência têm a sua única oportunidade para uma interacção social regular fora de casa.
A maioria dos jovens portadores de deficiência vê o trabalho como algo de vital nas suas vidas, como algo que lhe dá “status”, independência e poder de escolha da sua forma de vida. Embora para a maioria desses jovens o objectivo seja obter um emprego aberto, para muitos dos deficientes severos tal não é possível. De acordo com Hutchinson (1982), estes deficientes têm necessidade de recorrer ao emprego protegido ou ao trabalho em casa pago.
Porém, as pessoas portadoras de uma deficiência, quando não estão empregadas podem envolver-se em várias actividades de trabalho voluntário não remunerado, mas que vão de encontro à sua necessidade de trabalhar e de manterem a sua auto-estima. Contudo, sempre que possível deve tentar-se que os indivíduos portadores de uma deficiência consigam um trabalho remunerado; de facto, a impossibilidade de obterem um emprego remunerado aumenta-lhes, muitas vezes, os “Handicaps”.
3. Interacção social e participação na comunidade
Após o período da escolaridade obrigatória os grupos sociais reorganizam-se, uma vez que os jovens podem seguir uma variedade de opções de educação e treino ou podem mesmo arranjar um emprego. A integração torna-se, assim, não só um caso de frequência da mesma escola, mas um caso de acesso à mesma série de oportunidades pós escolares que os dos outros considerados não deficientes.
Nos programas da OCDE/CERI (1986), a integração é vista numa perspectiva dinâmica e é definida como “ o processo pelo qual os jovens com alguma incapacidade aprendem em conjunto e partilham experiências sociais, de recreio e de treino com os seus contemporâneos. È também o processo pelo qual os profissionais que trabalham com os jovens com alguma incapacidade interagem, colaboram e asseguram a interacção dos jovens pelos quais são responsáveis”. A integração durante a transição “ implica uma igualdade de acesso à variedade de oportunidades para o nível etário e não o acesso a uma simples instituição” – a escola.
4. Papel de adulto na família
È frequente a ideia de “ infância eterna” como imagem das expectativas que muitas famílias e profissionais têm sobretudo acerca dos jovens com deficiências severas. Entretanto, alguns serviços têm-se movimentado em direcção a um modelo de vida “ normalizado”, mas modelos de vida adulta não são ainda amplamente aceites para os deficientes severos e continuam a não ser fáceis de atingir.
A educação para a carreira deve incluir os diferentes papéis e posições ocupados pelo indivíduo deficiente durante a sua vida. Um currículo centrado na educação para a carreira deve dar relevo principal às actividades da vida diária, aos “skills” pessoais e sociais e à orientação e preparação ocupacional, sendo todas estas áreas suportadas por “skills” académicos.
Para a maioria dos deficientes, o emprego pago constituirá a maior parte das suas carreiras, se receberem a orientação e preparação ocupacional necessária. No entanto, para muitos outros deficientes, o emprego pago não compreenderá necessariamente a maior parte das suas carreiras.
Estes indivíduos, estando limitados no seu funcionamento vocacional, podem ter uma carreira com sucesso e uma vida produtiva aprendendo a funcionar adequadamente e o mais independente possível em casa, na família em casa, e na comunidade. A educação para a carreira para os deficientes deve construir a maior parte dos seus programas educativos.
Todos os jovens, incluindo os que têm necessidades específicas, têm o direito, que lhes é conferido pela lei, de receberem quer educação escolar, quer educação complementar e formação profissional. Embora a educação tenha vindo a ser considerada como uma preparação para a vida adulta, um aconselhamento em termos de escolha e uma preparação específica é muitas vezes indispensável.
A formação de qualquer portador de deficiência deve processar-se, sempre que possível, nas estruturas para tal vocacionadas, isto é, em regime de integração. Consequentemente, todo o professor de educação especial deve ter um conhecimento aprofundado das estruturas existentes para poder fazer um encaminhamento adequado de qualquer jovem por cujo apoio é responsável para que o mesmo possa vir a ter uma vida tanto quanto possível independente.
Reinserção Social do Cidadão Deficiente Mental
A integração dos alunos que fazem formação no mundo normal do trabalho, bem como a dificuldade que a mesma enfrenta em adquirir matéria-prima, junto das empresas, cujo o objectivo seria proporcionar aos alunos a possibilidade de executar, nas suas instalações um trabalho útil e socialmente valorizado.
Na prática verifica-se que, apesar dos incentivos já previstos na legislação, no que se refere à integração dos deficientes no mundo normal do trabalho, existe um hiato entre o preconizado e a sua concretização, que nos leva a questionar:
- os incentivos às empresas serão suficientemente motivadores?
- será que a conjuntura do país não oferece a segurança necessária, impedindo iniciativas que poderão ser consideradas de risco?
Seja qualquer for a imagem, a realidade é que a instituição se debate quotidianamente com listas de espera de novas admissões em todas as unidades, enquanto luta “ contra a maré” na tentativa do encaminhamento dos casos existentes com respectiva formação concluída.
Fazendo eco de uma das ideias principais do discurso de João Paulo II, alusivo ao Ano Internacional do Deficiente, no qual preconiza: “… a qualidade de uma sociedade mede-se pelo respeito que manifesta para com os mais débeis dos seus membros…”, dever-se-á sensibilizar a comunidade empregadora para esta problemática que, sendo muito particular, é simultaneamente um problema de todos os membros da sociedade.
Assim, recai sobre todos nós e sobre os empregados em particular o dever moral de proporcionar a todos os cidadãos deficiente, facilidade de formação profissional e um emprego compatível com as suas capacidades e qualificação.
Acreditamos que:
“ Nos horizontes irão romper novas auroras, que nem sequer tu poderias suspeitar”.
(João dos Santos)
Integração no Mundo do Trabalho
“ Um homem e uma mulher um dia sonham.
A aventura, para eles é o querer. E do seu sonho e da sua vontade um filho um dia nasce. E tem um nome – João, Maria. Manuel, José, Rui, Rita – todos os nomes.
Por razões biológicas ou psicológicas nasce porém – diferente.
Diferente não apenas das outras pessoas, diferente também, do projecto que um sonho e um querer correram como risco, ousaram de aventura.
E porque existe uma diferença, a dúvida por vezes supera a certeza, o projecto apequena-se num esboço e hesita-se na aposta do futuro, teme-se o desafio que a própria vida exige.
Algumas centenas de homens (milhares? milhões?) um dia sonham. Para eles, o querer é a aventura. E do seu querer e da sua aposta, um documento nasce. E tem nome – Declaração dos Direitos da Criança, e porque a criança é o homem e mulher ao mesmo tempo, ambos ainda adiados, a declaração, abrange os direitos de todos os homens.
Por razões históricas ou políticas, vinte anos depois, um ano nasce, assim – diferente. Diferente, não só põe ser o Ano Internacional de Criança: diferente também por não haver o querer ou o poder, a coragem ou a vontade de exigir todos os anos em anos universais das crianças, das mulheres, dos homens, da Humanidade.
Mas apesar da diferença, ou talvez por isso mesmo, a esperança cresce, a vontade afirma-se, a iniciativa avança, a obra vai surgindo”.
(Ricardo Guerra)
Segundo o Dr. Hariana Hahn, professor de Ciência Política da Universidade do Sul da Califórnia, a reabilitação tem sofrido uma total reorientação. As mudanças têm sido tão profundas que exigem uma reconceptualização da deficiência e da reabilitação. Cada vez mais a deficiência vem sendo reconhecida como um problema da maior importância social, económica e política em vez de uma colecção de problemas individuais. Defende que é na relação com o meio, em todos os seus aspectos, que a deficiência se revela ou não como limitadora de actividade humana. Isto significa que a deficiência só existe quando as inter-relações pessoas – meio se revelam difíceis ou impossíveis.
De facto reconhecem que a deficiência é, em grande parte, determinada pela política, é defender que a análise e revisão dos valores da maioria podem, sem prejuízo, integrar valores de minorias, enriquecendo o tecido social. As maiorias têm a tendência a encarar como “ natural” um meio ambiente no qual a vontade humana gizou normas e regras baseadas em padrões de beleza, de capacidade física ou intelectual que, embora maioritariamente reconhecidos num dado local e num dado tempo, nada têm de “universais” ou “naturais”. As leis, regulamentos e normas em todas as áreas podem gerar “deficiência” ou porque rejeitam, ou porque tratam “em paralelo”, ou porque simplesmente ignoram grupos de pessoas com características diferentes da maioria.
Daí que o primeiro passo para a prevenção da deficiência e para as reabilitações seja, de facto, uma constante e exaustiva de todas as áreas de intervenção sócio-política no sentido de detectar e colmatar todas as possíveis fontes de discriminação. A reabilitação torna-se, assim, uma questão de direitos civis e exige uma compreensão das implicações sociais e políticas da deficiência, quer na vida colectiva, quer nas relações pessoais.
Para essa compreensão da deficiência tem sentido fundamental que as próprias pessoas deficientes assumam a sua identidade e façam sentir as suas necessidades como grupo social.
Os estigmas e os estereótipos que acompanham as pessoas com deficiência só poderão ser ultrapassados quando, através da análise do fenómeno da deficiência, se puder despi-lo das suas fortes componentes “exteriores” ao indivíduo ou “aparentes”. Como diz H. Hahn, “a deficiência está, em primeiro lugar, nos olhos de quem a vê”.
O aparecimento de movimentos colectivos de pessoas deficientes lutando pelos seus direitos (por uma igualdade de oportunidades) significa a assunção da sua identidade e a reacção positiva à rejeição.
Nesse enquadramento teórico parece-nos que em Portugal se deu, em 1988, um passo importante. Culminando anos de estudo, de análises sectoriais, de esforços de articulação e concentração, foi possível apresentar, de forma sistematizada, um quadro coerente de intervenção política que, reconhecendo e valorizando os direitos das pessoas com deficiência, aponta para medidas de política que, a serem implementadas, poderão modificar completamente, num médio prazo, a vida dos portugueses.
A sociedade concebida para pessoas escorreitas física e espiritualmente é responsável, não obstante, pela exigência condigna de todos os seus membros, incluindo os deficientes, pelo que tem de proporcionar a estes os meios imprescindíveis à resolução dos seus problemas, nomeadamente os de ordem económica e cultural, visto a integração e reintegração depender, fundamentalmente, da estabilidade económica e da utensilagem mental do deficiente.
É imperioso que as instituições de e para deficientes, existentes em Portugal, adoptem os meios necessários para superar os obstáculos impeditivos da integração social de todos os deficientes. Que essas instituições, unanimemente, se unam, para a defesa de interesses e consecução de objectivos comuns promovendo e patrocinando iniciativas e actividades, entre outras, de natureza educativa, profissional, social, cultural e desportiva, reivindicando o cumprimento do disposto no artigo 71º da Constituição, levando a cabo uma campanha de sensibilização, de esclarecimento e de mobilização da opinião pública, para a amplitude imperatividade da resolução dos problemas de todos os deficientes.
Por incrível que pareça, mas no seio dos próprios deficientes, em termos de integração, também é aconselhável determinada sensibilização.
Desta forma, o direito à vida, à reabilitação e ao trabalho deixará de ser utopia (ainda para muitos) e tornar-se-á realidade indiscutível (para todos), se todos nos empenharmos nesse intuito e podermos contar com o apoio da sociedade e dos órgãos de decisão para a concretização do sonho dos deficientes portugueses.
Em matéria de reabilitação e reintegração de deficientes, os americanos perfilham, à partida, a teoria segundo a qual o deficiente não é necessariamente um incapaz. Este tema, incessantemente desenvolvido por Alain A. Reich, precidente do US Council por the International Year of Disabled People, espelha todo ma política de reintegração e uma concepção personalista de deficiente.
Modelares instalações hospitalares, unidades de trabalho protegido, centros clínicos e de investigação e pesquisa, apoio escolar de todos os níveis, são verdades que deveriam fazer da realidade do nosso país verdades iguais.
É necessário e urgente que a integração do deficiente no mundo do trabalho seja uma certeza. É necessário e urgente que este igual com direito à diferença deixe da vaguear só, triste e perdido numa vida desértica.
É necessário e urgente que ajudemos a caminhar m direcção ao seu rumo.
É necessário e urgente que entrelacemos as nossas mãos nas deles, que fixemos olhares e que mesmo sem falarmos murmuremos as mais belas palavras que jamais foram ouvidas em todo o universo.
O emprego protegido como perspectiva de intervenção
Participar na construção de uma sociedade civilizada e obviamente mais humanista implica estarmos simultaneamente atentos ao bem-estar colectivo e ao bem-estar de cada um dos seus elementos, particularmente quando estes pertencem a grupos minoritários desfavorecidos.
Em linguagem simbólica diríamos que: “É preciso estar atento à floresta sem perder de vista a árvore, e estar atento à árvore sem perder de vista floresta”.
Nenhum país – particularmente aqueles onde estão a ser desenvolvidos grandes esforços para elevar o nível de vida da população através do desenvolvimento da educação de base, da forma profissional, do aumento da produtividade, etc. – pode permitir-se perder, devido a uma deficiência, os contributos de trabalhadores qualificados, ou os contributos potenciais de pessoas capazes de adquirir uma qualificação.
Elas são uma parte integrante dos recursos nacionais que devem ser conservados, e a sua integração, tanto quanto possível, no mercado de emprego, contribui, por um lado, para o crescimento da população e, por outro, para reduzir o número de pessoas improdutivas do ponto de vista económico.
Luta-se para o desenvolvimento de um mercado de emprego “protegido” seja uma das vias mais eficazes para atingir esse desiderato. No entanto, o emprego protegido será tanto mais eficaz quanto mais claras forem as “regras do jogo”, os objectivos a atingir e, obviamente, o tipo de população a que se dirige.
Pensamos que o emprego protegido deve ser estruturado de modo a construir um mercado próprio (quer de emprego quer de bens), sendo necessário que cada uma das suas unidades crie a sua própria identidade, livre de favoritismo e de tendências para o parasitismo económico, condição necessária para que as iniciativas se solidifiquem, prosperem e garantam a sua continuidade.
Sem retirar importância a outros programas de reabilitação (a heterogeneidade que caracteriza a população – alvo exige respostas diversificadas face às muitas particularidades), consideramos o emprego protegido uma resposta a valorizar, tendo em consideração que:
- Permite uma formação profissional em situação real de trabalho;
- Oferece condições adequadas a uma reabilitação social/comportamental;
- Congrega e permite uma acção supletiva do estado face a iniciativas da sociedade civil;
- Permite uma interacção construtiva das pessoas com outros grupos;
- Exerce uma acção pedagógica mais eficaz junto da população em geral;
- Responde adequadamente aos interesses macroeconómicos;
- Permite o acesso à actividade económica a pessoas deficientes que, por outros meios, dificilmente a atingiriam;
- Exige menores recursos financeiros (nomeadamente para o funcionamento) que outros programas de reabilitação.
Nunca é demais lembrarmos que o deficiente tem direito a uma carreira digna e remunerada, no contexto mais amplo do conjunto dos direitos reconhecidos a todo o cidadão.
Nas nossas sociedades o emprego, uma carreira profissional, a independência económica são os verdadeiros marcos do estatuto de plena cidadania.
Deve estimular-se a dinamização do emprego através da concessão de apoios técnicos e financeiros dos quais destacamos: os subsídios de compensação às empresas ou outras entidades que admitam deficientes no seu quadro pessoal e os mantenham em efectividade de funções; os subsídios para eliminação de barreiras arquitectónicas e adaptação de postos de trabalho a empresas; os subsídios à instalação por conta própria; a redução de contribuições devidas à Segurança Social por parte de empregadores que tenham ao seu serviço trabalhadores deficientes.
A par deste conjunto de dispositivos tendentes a melhorar o acesso a postos de trabalho existentes, tem-se vindo a equacionar a possibilidade de articular os programas de desenvolvimento regional, as iniciativas locais de emprego e o fomento do cooperativismo, perspectiva esta que a desenvolver-se poderá imprimir um maior dinamismo à inserção profissional das pessoas deficientes.
Coisa fofa gente!
‘Doidos’ trabalhando não têm tempo pra pensarem em seus direitos, se tornam seres escravizados, alienados à mercê de uma psicologia que invade o espaço da psiquiatria e até das ciências sociais, se autointitulando defensores dos pacientes psiquiátricos. Aonde estão os médicos psiquiatras que não expulsam essa psicologia invasora de profissões. Isso é imperícia profissional…
Psicologia é pão e circo…